pelo positivo ou pelo negativo
intensamente ou na calma
na insegurança ou no amor-próprio
escondido no mato ou com todos os amigos
depois do primeiro amor e antes do último
tens alguma coisa para dizer? se não, cala-te e vive
vive a tua vida e quando tiveres algo a dizer, fala. mas só então.
tenho vinte e cinco anos vividos e outros tantos por viver
tenho mãe, pai e irmão
um tecto para me abrigar e alguns amigos com quem conversar
não tenho mulher, mas isso há de se arranjar.
tenho vinte e cinco anos
e tenho vontade de contar uma história
só não sei que história é essa
não sei se é sobre mim, se sobre os outros
se é sobre ricos ou sobre pobres, se é fantasia ou realidade
se com homens ou com mulheres ou com os dois, se é na terra, no ar ou na água
só sei que tenho qualquer coisa cá dentro que quer sair
que está a ficar demasiado grande para este corpo e se não a libertar
matar-me-á por asfixia interna.
se pensar um pouco, começo, aos poucos
a descobrir algumas das coisas que formam esse homicida potencial
como o positivo e o negativo
como a intensidade e a calma
como a insegurança e o amor-próprio
como o primeiro amor
como todos os amores
como a forma de encarar a vida
como a forma de estar na vida.
tenho vinte e cinco anos
e sei que nada é eterno, tudo é efémero
sei que não existem príncipes encantados ou mulheres perfeitas
e sei que só há uma forma de amar, com o coração.
e sei que para amar verdadeiramente outra pessoa é preciso, primeiro
amarmo-nos a nós próprios.
tenho vinte e cinco anos
e não é por isso que não tenho medo de amar uma mulher como se fosse a única
um amigo como se fosse o Sol
ou um irmão como se de oxigénio se tratasse.
não é por isso que não tenho medo de saltar de cabeça
para uma piscina pouco profunda
pois sei que só batendo com a cabeça lá em baixo
se abre a possibilidade que quebrar o chão, furar a terra
sentir o cheiro agridoce da morte e entrar no âmago da vida
conhecer o amor, possuir o orgasmo, dormir aconchegado
reconhecer o fim, cortar o cordão e morrer
e nascer novamente, e amar
e novamente morrer para novamente tornar a nascer.
não tenho medo porque sei que ela não é única
que existem muitas estrelas por aí
que é de oxigénio que se forma o ozono.
não tenho medo porque nasci assim
com medo de perder o medo
e apenas com uma certeza
a de que um dia deixa de se ter aquilo que hoje se tem.
pelo positivo ou pelo negativo
intensamente ou na calma
na insegurança ou no amor-próprio
escondido no mato ou com todos os amigos
depois do primeiro amor e antes do último
com a certeza única
de que um dia
deixará de se ter
o que hoje se tem
(só fica a poesia)
sábado, 1 de abril de 2000
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